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CEARAH Periferia - Centro de Estudos, Articulação e Referência sobre Assentamentos Humanos - A comunidade


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A comunidade

Comunidade litorânea pertencente ao município de Beberibe (distante 120 km de Fortaleza). Com cerca de 240 famílias e 1000 habitantes, tem uma organização comunitária muito forte e consolidada. Possui também o apoio assistencial de ONG’s nacionais e internacionais, como Instituto Terramar e Amigos da Prainha do Canto Verde, que contribuem para o desenvolvimento sustentável do povoado.



O sustento de seus moradores provém principalmente da pesca artesanal. Em seu litoral há uma grande variedade de peixes e crustáceos. A presença da Escola dos Povos do Mar e do Estaleiro Escola reafirma e fortalece a identidade da Prainha do Canto Verde como uma comunidade pesqueira.

Outras famílias buscam na agricultura, no artesanato e na educação e saúde o seu meio de sobrevivência. A maioria dessas famílias tem casa própria e outras vivem de co-habitação, isto é moram duas ou mais famílias em uma mesma casa e geralmente com laços de parentesco. As casas são pequenas e em sua maioria de alvenaria e algumas famílias mais carentes vivem em casas de palha.

As moradias, em sua maioria não dispõem de banheiros adequados, levando as pessoas das comunidades a fazerem uso da fossa rudimentar e assim contaminar o lençol freático, principal fonte de água para a comunidade. Na Prainha, não há rede de abastecimento nem tampouco rede de esgoto.

A população obtém sua água através de poços artesanais. A água do lençol freático é bastante contaminada e inicialmente consumida sem os devidos cuidados de tratamento, comprometendo a saúde da comunidade.



HISTÓRIA
A história da comunidade é muito rica e movimentada. De acordo com relato dos moradores mais velhos, o casal Joaquim "cabloco" e Filismina assentou-se na praia por volta do ano de 1870 e, juntos, geraram 12 filhos, dando assim início à comunidade de Prainha do Canto Verde.

A primeira notícia documentada nos jornais sobre a comunidade é o "raid" de 1928, quando três pescadores na jangada Sete de Setembro resolveram navegar até Belém (PA). A aldeia original ficava a oeste da vila atual.

Com as grandes chuvas de 1974 a vizinha Lagoa do Jardim rompeu, levando a maioria das casas de táipa para o mar, provocando a mudança da comunidade. Dois anos depois, um grileiro e uma empresa imobiliária entraram em cena para acabar com a paz e a tranqüilidade da comunidade, tentando se apoderar das suas terras.

A reação dos moradores foi a luta pela terra. Com a vitória no Tribunal de Justiça do Ceará, os moradores confiam que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) irá f\azer o mesmo para acabar com o crime e devolver a paz.

Em 1989 o Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos (CDPDH) do cardeal D. Aloísio Lohscheider ajudou a fundar a Associação dos Moradores da comunidade. Após três anos inicia-se o projeto para o desenvolvimento sustentável da comunidade com apoio dos Amigos da Prainha do Canto Verde.

No ano seguinte acontece a famosa viagem de protesto da jangada S.O.S Sobrevivência até o Rio de Janeiro, com quatro jangadeiros e duas mulheres de carro, dando apoio logístico. Em 1995, nasce o Fórum dos Pescadores do Litoral Leste em assembléia na Prainha do Canto Verde, o que mais tarde se amplia para todo o Ceará.

Em 1999 a comunidade vira academia para o Curso de Formação de 105 Lideranças do litoral do Ceará. Em 2002 é inaugurada a Escola dos Povos do Mar, para os jovens pescadores da comunidade e, em 2004, o Estaleiro Escola para construção de Catamarã de pesca.

25/08/2005

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