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Mulheres querem controle sobre programação das TVs para combater preconceito

Fonte: Agência Brasil

Depois de quatro dias de debates, as mais 2,8 mil participantes da 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres aprovaram na última segunda (20/8), no encerramento, novas metas de políticas públicas que devem ser aplicadas pelos governos municipais, estaduais e federal.
Entre as novas medidas, pediram mecanismos de proteção ao meio ambiente, acesso à terra e moradia e combate a discriminação contra negras, índias, lésbicas e idosas, por exemplo. Além disso, ressaltaram que vão cobrar dos meios de comunicação uma conduta de respeito à imagem da mulher e até mesmo a interdição de conteúdos machistas.

No âmbito da participação política, reivindicaram a igualdade nas cadeiras da administração pública. A inclusão de uma proposta de reforma no sistema político foi uma questão central. Entre os pontos dessa proposta está a paridade no tempo utilizado na mídia durante as campanhas e, dentro dos partidos, a igualdade de gênero e étnico-racial. As propostas discutidas na Conferência, que incluem 11 temas centrais como acesso à saúde, educação, igualdade no trabalho e combate à violência, integrarão o 2º Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.

Entre as medidas aprovadas na Conferência estão a iniciativa de punir os canais de TV que difundam o preconceito contra mulheres e garantir que metade do conselho gestor da nova TV pública seja composta por mulheres. Um dos objetivos pretendidos é derrubar o esteriotipo da mulher "jovem, magra, branca, de cabelo liso e burra" vendido pela mídia, segundo a psicóloga Raquel Moreno, do Observatório da Mulher.

A nova TV pública, que será implantada pelo governo federal até o final do ano, terá um conselho gestor. Os 20 integrantes serão indicados pelo presidente da República. Uma recomendação da conferência pede que 50% das vagas sejam ocupadas por mulheres, com paridade entre negras, índias, brancas e outros segmentos. A Conferência também aprovou apoio à realização de uma Conferência Nacional de Comunicação, para que o governo discuta com a sociedade civil sua política nacional para a área.

Além da participação na nova TV Pública, as mulheres reivindicam maior controle social sobre a programação das TVs privadas. A conferência propôs a criação de observatórios sociais dos canais, para coibir a difusão de imagens preconceituosas e estereotipadas. As delegadas da conferência também querem incluir no critério de concessão pública dos canais o tratamento não-discriminatório às mulheres. A conferência sugere que os canais que difundirem o preconceito de gênero ou a intolerância religiosa sejam punidos, até mesmo com interdição de programas.

Um levantamento do Observatório da Mulher mostra que somente em 15% do noticiário a mulher é o centro da notícia ou fonte. Para Raquel Moreno, o modelo feminino difundido é o da "mulher musa". "Que é a que vende e representa os valores tradicionais", afirmou a psicóloga.

A interdição dos conteúdos, como propõe o documento, não pode ser vista como uma forma de censura, mas, de respeito as mulheres, defende a psicóloga. Na visão da feminista, é um absurdo a mulher ser "retalhada", para vender produtos ou ainda ser oferecida como brinde. "Os homens de criação precisam se conscientizar que não podem limitar a criatividade à agressão de seres humanos para vender produtos", completou.

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

22/08/2007

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