O alto preço da desordem urbana
Fonte: Jornal O Povo
Construções irregulares e o uso predatório do espaço urbano desrespeitam a legislação e degradam a qualidade de vida da população em Fortaleza.
O desrespeito à Lei do Uso e Ocupação do Solo de Fortaleza atingiu níveis críticos nos últimos anos e tem comprometido a vida na cidade. A explosão demográfica aliada à especulação imobiliária, à falta de conhecimento das leis por parte da população e ao baixíssimo nível de fiscalização do poder público têm deformado cada vez mais a paisagem do município e atacado um dos princípios que norteiam a fundação de uma cidade: a coletividade.
Não precisa andar muito pela cidade para descobrir verdadeiras atrocidades cometidas pelo homem contra o espaço urbano. Subir ao único mirante de Fortaleza dá uma dimensão do que tem acontecido em quase todas as regiões da Capital. De um lado, prédios e hotéis que "privatizaram" a visão do mar; de outros edifícios de mais de 30 andares em uma área predominantemente de casas térreas; e, abaixo, verdadeiros barracos que se amontoam na encosta do morro, colocando em risco a vida de quem ali vive.
"O pouco caso com o espaço urbano é evidente em Fortaleza. A falta de cumprimento das leis, que já estão em grande parte desatualizadas, tem descaracterizado muito a cidade e faz todos sofrerem com isso", afirma o urbanista Jorge Neves. Mesma opinião tem a secretária de Meio Ambiente e Controle Urbano do Município, Daniela Valente. "Muitos dos problemas sociais, como a violência, são decorrentes também desse espaço urbano desconfigurado", explica.
Nas últimas semanas, a Coluna Política do O Povo vem denunciando uma série de interferências na cidade que desrespeitam a lei e agridem o meio ambiente. Como salientou um documento produzido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), secção Ceará, as discussões em torno destas questões aparentemente pontuais, "na verdade são resultantes de um processo geral, conseqüência da ausência de uma política clara e consistente no que diz respeito ao planejamento e ao controle urbanos de Fortaleza".
Nas próximas páginas, O Povo se propõe a discutir como algumas obras interferem na vida de toda a cidade e como o Plano Diretor, que está em vias de ser encaminhado para aprovação na Câmara Municipal, pode alterar este processo de degradação urbana. A responsabilidade do poder público, das construtoras e da população, de forma geral, também será debatida.
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Vicente Gioielli - Repórter do Jornal O Povo
22/08/2007
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